domingo, 30 de junho de 2013

Ministério da Educação Reconhece Instituto Superior de Ciências Policiais mantido pela PMDF

O Instituto Superior de Ciências Policiais, órgão de ensino superior credenciado pelo MEC, nasce com a missão não só de formar profissionais de segurança pública em nível superior, mas também produzir pesquisa científica em área de relevante interesse social, contudo para se constituir enquanto referencia é necessário fazer alguns aprimoramentos, tais como a especialização de pesquisadores que possam produzir conhecimento científico e reflexivo sobre violência, conflitualidade e o controle social, ao constituir um grupo interdisciplinar de estudos e pesquisas ao referenciar a temática de segurança pública.

O início dos trabalhos de pesquisas acadêmicas definidos pela PMDF passa pela organização de um Núcleo de Pesquisa, que além de dar o contorno científico para as investigações que objetiva desenvolver, pretende ainda fortalecer a Instituição Policial enquanto produtora de novos conhecimentos científicos.

Portanto, o nascimento de um centro de referência voltado para o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Segurança Pública, Violência e Conflitualidades –NEPES tem a missão de constituir-se enquanto espaço institucionalizado de fomento, planejamento e execução de atividades de pesquisa do Instituto Superior de Ciências Policiais - ISCP. Diante da diversidade de conhecimento inerente à atividade de segurança pública, se caracteriza pelo amálgama interdisciplinar. Para concretizar a relevância do ISCP, é necessário dispor toda a corporação para intervir nesse processo de construção. Assim, é apresentado como proposta uma estrutura inicial para o NEPES que orientará as pesquisas da instituição, através de dois campos de conhecimentos específicos, delimitado por duas áreas de concentração: Atividade Policial Reflexiva e Sociedade e Estado. Estes dois eixos estruturantes apresentam especificidades que se subdividem em linhas de pesquisas.

ATIVIDADE POLICIAL REFLEXIVA
Concentra as linhas de pesquisas acerca da atividade policial militar e suas reflexões podem repercutir na gestão de pessoal e patrimonial, no planejamento e na atividade policial. As pesquisas estão direcionadas para os microcosmos sociais, para a empiria policial e, portanto, para as práticas policiais.

Sistema de apoio à Atividade Policial: Os pesquisadores desta linha concentram seus esforços nos estudos das atividades que subsidiam a prática policial militar. As atividades burocráticas geralmente não ganham notoriedade nas pesquisas acadêmicas, mas são importantes quando percebidas como parte de um complexo sistema que pode resultar na sensação de segurança. Assim, podem ser objetos de estudos a logística, o fluxo da informação, a saúde policial militar, processos de seleção, entre outros.

Estratégias Contemporâneas em segurança pública: Como oferecer um melhor serviço à sociedade? A pergunta que seria respondida facilmente por outras instituições é percebida como um dilema quando se pensa em segurança pública. Assim, modelos e filosofias de policiamento, verticalização dos processos decisórios (influenciados por Tratados Internacionais, por Instituições Federais, Estaduais e/ou Municipais), influências horizontais (várias agências de controle no mesmo tempo e no espaço geográfico) são os objetos de estudos desta linha de pesquisa.

Cotidiano e Prática Policial: Linha de pesquisa que coaduna com as estratégias contemporâneas com a formação policial. Pesquisa as relações face-a-face dos policiais com os cidadãos e cidadãs em momentos de mediação de conflitos, repressão à atividade criminosa, entre outras.Educação Policial: Esta linha surge para compreender as complicações do senso comum policial que “O serviço policial aprende na rua”. Assim, faz-se imperativo aliar a Educação de formação Policial com a prática diária sem que haja espaço para os currículos ocultos ou lacunas na formação policial. Dessa maneira, diante da complexidade de problemas e conflitos solucionados pelos policiais, há a necessidade de pesquisas que auxiliem a formação profissional para que esta atenda às necessidades “da rua”.

SOCIEDADE, PODER E ESTADO
Debate e pesquisa as representações sociais que “conduzem” as ações policiais institucionalizadas. Além disso, pesquisa como as práticas de várias instituições, independente que sejam estatais ou policiais, como contribuem para a sensação de segurança e para a cidadania. As linhas de pesquisas estão direcionadas.

Conflito Social, Violência e Cidadania: Compreende o debate teórico e das manifestações empíricas das violências, dos conflitos sociais contemporâneos e da construção da cidadania como uma relação ente a sociedade civil e o Estado. Tendo como as instituições policiais o elo entre estas partes, esta linha dedica suas pesquisas aos objetos relacionados com o monopólio legal da força estatal capitaneado pelas instituições policiais e sua relação com a sociedade civil. Assim, compreende as pesquisas e debate dos instrumentos de controle deste monopólio à legitimidade das ações policiais.

Vulnerabilidade Social e Minorias: Debate acerca das construções conceituais e políticas de minoria social e a repercussão na atividade policial. Como as instituições policiais interpretam e instrumentalizam as construções sociais de etnia, gênero, geração, classes econômicas e quais são as conflitualidades inerentes a estes conceitos no espaço público? Estas respostas, entre outras questões acadêmicas pertinentes a vulnerabilidade social, são os objetos de pesquisas desta linha de pesquisa.

Instituições de Segurança e Sociedade: Apesar de deter o monopólio da força, as instituições policiais brasileiras não detêm o monopólio da construção da sensação da segurança. Ainda mais, o Estado não o detém. Instituições não estatais que têm o lucro como objetivo das suas atividades fazem parte do contexto da segurança no mesmo espaço que as várias instituições estatais, sendo policial ou não. Além destas relações entre instituições do Estado responsável pela segurança pública e instituições privadas, esta linha de pesquisa também delimita sua atenção às relações entre as próprias agências policiais em nível municipal, estadual, federal e internacional, sendo estas conflituosas ou harmônicas.
Forum Brasileiro de Segurança Publica - São Paulo(SP) - 25/06/2013
por Edilson de Souza*
* Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

“O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros.” - Confúcio / "Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros." - Che Guevara